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Fraude no RS: sete pacientes com câncer que receberam remédios falsos morreram durante tratamento, diz polícia

Remédio falso contra câncer: polícia faz operação no RS e prende empresário Pelo menos 39 pacientes foram vítimas do esquema de fraude em orçamentos e s...

Fraude no RS: sete pacientes com câncer que receberam remédios falsos morreram durante tratamento, diz polícia
Fraude no RS: sete pacientes com câncer que receberam remédios falsos morreram durante tratamento, diz polícia (Foto: Reprodução)

Remédio falso contra câncer: polícia faz operação no RS e prende empresário Pelo menos 39 pacientes foram vítimas do esquema de fraude em orçamentos e suspeita de falsificação de remédios para câncer no Rio Grande do Sul, de acordo com a Polícia Civil. Segundo a investigação, sete pessoas que receberam os medicamentos morreram durante o tratamento. De acordo com a polícia, o esquema envolvia um médico oncologista, advogados e um empresário. Pacientes com câncer que se consultavam com o médico eram orientados a usar o medicamento Enhertu, que é real e pode custar até R$ 800. O oncologista orientava os pacientes a pedir na Justiça que o remédio fosse custeado pelo governo e indicava nomes de advogados (que também participavam do esquema). 🩺 No Rio Grande do Sul, quando a compra de um medicamento é judicializada, o próprio paciente, através do seu advogado, tem que coletar três orçamentos, a sua livre escolha. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Era neste momento que os advogados buscavam o empresário, também participante da fraude, que tinha empresas de fachada, todas com o mesmo dono, e faziam uma licitação falsa. Desta forma, o remédio "mais barato" era identificado e automaticamente comprado com dinheiro público, bloqueado pela Justiça para garantir o tratamento. Em nota, a Secretaria de Saúde do RS (SES) afirma que "os medicamentos foram, em grande parte, viabilizados por meio de bloqueios judiciais de valores, com compra direta por pacientes e/ou seus representantes legais, fora dos processos regulares de aquisição pública" e que, como medida preventiva, "encaminhou ofício a todas as unidades assistenciais oncológicas do RS recomendando o reforço imediato das ações de vigilância, controle e segurança relacionados aos medicamentos oncológicos". Leia a nota completa abaixo. Farmacêutica percebeu inconsistências A investigação começou quando uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel, na Fronteira Oeste, desconfiou de falsificação em um medicamento para pacientes com câncer de mama. As embalagens apresentavam inconsistências e até erros de grafia na embalagem. "As evidências reunidas apontam para uma estrutura organizada que, em tese, teria transformado a judicialização da saúde em um mecanismo de obtenção de lucro ilícito. A suspeita de comercialização de medicamentos adulterados ou falsificados torna os fatos ainda mais graves, pois ultrapassa a questão patrimonial e alcança diretamente a saúde e a vida dos pacientes", afirma o delegado Daniel Severo, responsável pela investigação. A polícia aponta a participação do oncologista Fernando Borges da Silva, de Santa Maria, que seria responsável pelos laudos médicos utilizados nas ações judiciais. Conforme o delegado, caberia a ele a captação dos pacientes, encaminhando-os aos advogados pertencentes ao esquema. "Eles têm claramente ali um médico que é o que capta os clientes. Duas pacientes nos confirmaram que é ele quem indica. Aliás, ele tem cartões desses advogados à disposição para entregar para os pacientes que não conseguiram o medicamento nas farmácias do Estado", explica. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) disse que instaurará "uma sindicância para apurar a situação assim que tiver conhecimento oficial dos fatos". Após a publicação da reportagem, o prefeito de São Gabriel, Lucas Menezes (União Brasil), confirmou que o médico investigado seria afastado. Operação Placebo cumpriu mais de 50 mandados contra o grupo suspeito de fraudar concorrências e usar empresas de fachada Polícia Civil/Divulgação Operação policial Nesta segunda-feira (29), durante a Operação Placebo, foram cumpridos 57 mandados de busca e um de prisão para investigar o grupo pela fraude em orçamentos, entrega parcial de medicamentos, uso de empresas de fachada e até fornecimento de remédios com suspeita de falsificação. As ordens foram cumpridas em São Gabriel, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Sapiranga, Campo Bom, Canoas, Taquara, Porto Alegre, Gravataí, Tramandaí e, ainda, em mais quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. As medidas cautelares tiveram como alvo 15 pessoas e 14 empresas investigadas. Preso durante a operação, o empresário de São Gabriel Lisandro Henriques Hermes é apontado, segundo a Polícia Civil, como o principal articulador do grupo. Os investigadores afirmam que ele controlaria direta ou indiretamente empresas que participariam das concorrências apresentadas nos processos judiciais, entre as quais a Licifarma e a LH Medicamentos. O empresário negou as acusações e disse que não tem relação com os advogados e o médico investigados. Disse, ainda, que desconhece a suspeita de falsificação de medicamentos. Com ele, a polícia apreendeu dezenas de caixas com remédios, suplementos alimentares e cartelas de medicamentos sem identificação. Ele alegou que os produtos foram descartados por uma fábrica por controle de qualidade, mas não soube explicar por que a própria fábrica não fez o descarte. A Polícia Civil sustenta que Lisandro utilizava sócios formais, conhecidos como "laranjas", para ocultar o verdadeiro controle dos negócios. Além da casa do empresário, os agentes localizaram medicamentos em cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. Por determinação judicial, foram bloqueados cerca de R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados. Entre os investigados estão ainda três advogados "Esse núcleo jurídico acionava o núcleo empresarial. É uma articulação grande. O núcleo jurídico aciona o empresarial para fraudar a concorrência, ou seja, são só as farmácias ligadas a eles que ganham", detalhou o delegado. Além do médico, os advogados Éverson Dornelles de Dornelles, Esther Cowan Kotula e Rita Gabriela Schweickardt Werner foram alvos de mandados de busca e apreensão. Tanto o oncologista quanto os advogados tiveram o exercício profissional proibido pela Justiça, em medida cautelar solicitada pela Polícia Civil. O que dizem os investigados Defesa de Fernando Borges da Silva "Na qualidade de defensor do médico investigado, informamos que ele nega a prática de qualquer conduta ilícita, está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso das investigações." Defesa de Rita Gabriela Schweickardt Werner "A defesa esclarece que a Advogada contribuirá, na medida de seu conhecimento, para o completo esclarecimento da verdade, tão logo tenha acesso ao conteúdo das investigações, a fim de compreender exatamente quais fatos estão sendo apurados. De toda forma, mesmo triste, consternada, permanece tranquila, pois ao longo de sua trajetória profissional sempre exerceu a advocacia dentro dos limites da ética, da legalidade e do compromisso com a correta prestação jurisdicional em favor de seus clientes, princípios que norteiam o exercício diário da sua atuação e a deixam tranquila em relação ao resultado das investigações. Por respeito ao regular andamento das investigações e às instituições responsáveis pela apuração dos fatos, a defesa não fará comentários sobre o mérito neste momento, reiterando sua confiança de que a verdade será integralmente esclarecida pelos canais adequados, o que, registra-se, é de total interesse da colega." O g1 procurou as defesas de Éverson Dornelles de Dornelles e Esther Cowan Kotula, mas não teve retorno até a última atualização da reportagem. Anvisa proibiu comercialização A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, ainda em fevereiro deste ano, a apreensão e proibiu a comercialização e a distribuição de um lote do medicamento oncológico Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) após a identificação de unidades com características diferentes das do produto original. A medida foi publicada por meio da Resolução-RE nº 641, de 18 de fevereiro de 2026, e atingiu o lote 416466. Segundo a Anvisa, a fabricante Daiichi Sankyo Brasil comunicou a existência de frascos com dimensões superiores ao padrão habitual, descascamento nas tampas e divergências na coloração e no material utilizado no fechamento das embalagens. De acordo com a empresa, o medicamento original possui tampa amarela com acabamento plástico, enquanto as unidades suspeitas apresentavam tampa metálica pintada de amarelo, um dos indícios de falsificação. Operação Placebo mira grupo suspeito de fraudar concorrências e usar empresas de fachada Giovani Grizotti/RBS TV O que dizem Anvisa e o laboratório Confira a íntegra da nota da Anvisa "A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução-RE nº 641, de 18 de fevereiro de 2026, determinando a apreensão e a proibição da comercialização e distribuição do medicamento ENHERTU, lote 416466, após a identificação de unidades com características divergentes do produto original. A medida foi adotada com base em comunicado da empresa DAIICHI SANKYO BRASIL FARMACÊUTICA LTDA., que informou ter identificado no mercado frascos com dimensões superiores ao padrão habitual, descascamento nas tampas e divergências na coloração e no material utilizado nas tampas das embalagens. Segundo a fabricante, o produto original possui tampa amarela com aparência plástica, enquanto as unidades suspeitas apresentam tampa metálica pintada de amarelo. Diante das irregularidades encontradas, a Anvisa determinou a apreensão das unidades e proibiu sua comercialização e distribuição em todo o território nacional. A orientação é para que distribuidores, farmácias, hospitais e demais serviços de saúde verifiquem seus estoques e interrompam imediatamente qualquer circulação do lote mencionado, comunicando às autoridades sanitárias locais e à fabricante caso sejam identificadas unidades com as características descritas." Confira a íntegra de nota do laboratório "A Daiichi Sankyo Brasil informa que tomou conhecimento de unidades falsificadas de Enhertu®️ (trastuzumabe deruxtecana), relacionadas a um lote específico identificado como 394373, que não corresponde aos produtos fabricados pela empresa e adquiridos por meio de fornecedores homologados. Imediatamente após a identificação da suspeita, em junho de 2025, a empresa notificou a Anvisa e demais autoridades competentes, iniciando apuração rigorosa do caso e colaborando integralmente com as investigações. A Daiichi Sankyo reforça que não houve qualquer alteração na fabricação ou na qualidade dos produtos regularmente produzidos pela companhia. A saúde e segurança dos pacientes é prioridade absoluta para nós, e todas as medidas cabíveis foram adotadas com agilidade e responsabilidade. A empresa orienta que profissionais de saúde e instituições adquiram medicamentos exclusivamente de distribuidores homologados disponíveis em nosso site e que qualquer suspeita seja comunicada às autoridades sanitárias e ao Serviço de Atendimento ao Cliente da companhia: sacbr@daiichisankyo.com 0800 055 6596 A Daiichi Sankyo permanece à disposição para esclarecimentos e segue comprometida com os mais altos padrões de qualidade, ética e responsabilidade em todas as suas operações no Brasil." O que diz a Secretaria de Saúde do RS "A Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), em relação à matéria divulgada nesta segunda-feira (29) sobre a Operação Placebo, esclarece que o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) não é incorporado ao SUS, sendo fornecido pela SES exclusivamente em atendimento de determinações judiciais. Além disso, a SES não adquiriu o referido medicamento das empresas citadas na reportagem (Licifarma e LH Medicamentos). Até o momento, portanto, não há indícios de envolvimento das estruturas assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) vinculadas à SES/RS na investigação conduzida pela Polícia Civil, incluindo os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs). Todas as aquisições de medicamentos realizadas pela SES exigem laudo de controle de qualidade e comprovante de origem (desde o laboratório fabricante) para cada lote de medicamento entregue. No fluxo administrativo estadual, a assistência é realizada de forma estruturada, com protocolos definidos, rastreabilidade e aquisição por fornecedores qualificados, garantindo segurança e qualidade dos medicamentos. Nos casos abordados na investigação, observa-se que os medicamentos foram, em grande parte, viabilizados por meio de bloqueios judiciais de valores, com compra direta por pacientes e/ou seus representantes legais, fora dos processos regulares de aquisição pública. Como medida preventiva, nesta segunda-feira (29) a SES encaminhou ofício a todas as unidades assistenciais oncológicas do RS recomendando o reforço imediato das ações de vigilância, controle e segurança relacionados aos medicamentos oncológicos, com especial atenção aos processos de aquisição, recebimento, armazenamento, dispensação e administração. Nesse sentido, a SES orientou a suspensão imediata do uso e comunicação à Vigilância Sanitária de qualquer lote com suspeita de falsificação, adulteração ou desvio. A adoção dessas medidas é fundamental para garantir a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência prestada e a conformidade com as normas sanitárias vigentes. A Secretaria reforça que atua de forma permanente, em articulação com o Comitê Estadual da Saúde RS/CNJ e o Poder Judiciário, para qualificar o fluxo da judicialização e reduzir riscos aos pacientes, bem como prevenir distorções e fraudes." Operação Placebo mira grupo suspeito de fraudar concorrências e usar empresas de fachada em compra de medicamentos contra câncer Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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